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EQUIDADE

Tecnologia contra a desigualdade

Estudo inédito da BlackRocks revela que a inovação liderada por pessoas negras não só enriquece o ecossistema e a sociedade como pode ser motor para a redução do abismo racial no Brasil

As mudanças são discretas, por vezes imperceptíveis, mas estão aí, em pleno curso. Ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas as startups negras ganham mais e mais espaço no cenário brasileiro da inovação. São conquistas irrevogáveis e inegociáveis. É o que mostra o primeiro levantamento sobre o assunto, o BlackOut – Mapa das Startups 2021, feito pela BlackRocks, em parceria com a ABStartups (veja os principais resultados ao longo da reportagem). “Os dados apontam o valor e a importância dos empreendedores negros no ecossistema de startups”, diz Maitê Lourenço, fundadora e CEO da BlackRocks, lançada em 2016 para a aceleração de empreendimentos comandados por negros. “O acesso à educação e à tecnologia são capazes de tirar a população negra desse eixo de continuidade das consequências da escravidão e levá-la para outro patamar.”

Para o trabalho, foram ouvidas 2.571 lideranças, em todo o país. Delas, uma em cada quatro se declarou preta ou parda. A representatividade ainda é baixa, sobretudo quando se leva em conta que os negros somam 56,1% da população brasileira. Reflexos do racismo estrutural e das desigualdades que prevalecem na sociedade desde sempre estão evidentes no estudo, mas o momento é de transformação. Com muita determinação, resiliência e criatividade, essas mulheres e homens têm conseguido levar seus negócios adiante. Quase a totalidade das empresas foi fundada entre 2015 e 2021. “Estamos num momento muito bom de aceleração, que ganhou força sobretudo nos últimos três anos, com conexões com as big techs e marcas importantes, e que dão visibilidade no mercado”, aponta Paulo Rogério Nunes, cofundador da aceleradora Vale do Dendê, com sede em Salvador.

Deve-se, no entanto, avançar – muito mais, e logo. O trabalho da BlackRocks mostra que um dos principais entraves (quiçá o maior) à prosperidade das startups negras é o baixo investimento nessas empresas. “O ecossistema de inovação ainda penaliza o acesso e a representatividade racial”, defende Renata Mendes, diretora de Relações Institucionais e Governamentais da Endeavor Brasil. “É urgente que nós, tanto organizações do ecossistema quanto investidores de venture capital, iniciemos ações de inclusão e suporte para empresas fundadas por pessoas negras. Das fases mais iniciais do negócio até seu crescimento e consolidação. O ecossistema todo ganha quando uma empresa cresce e multiplica seu impacto pelo país. Mas esse impacto não pode e não deve seguir sendo liderado apenas por fundadores brancos, especialmente em um país onde a maioria das pessoas é negra.”

Um estudo divulgado em março passado, feito em parceria da BlackRocks com a consultoria Bain&Company, com 30 empresas da cadeia de investimentos e aceleração de startups sobre os gargalos do setor de inovação que dificultam o desenvolvimento de empreendedores negros, mostra que 71% dos investidores não têm nenhuma pessoa negra em seus times de seleção. E isso fica evidente no trabalho atual da BlackRocks. Entre as startups negras, 29,3% receberam algum investimento. Entre as não negras, 36%. Menos aportes estão refletidos também no modelo de negócio das duas categorias de empresas analisadas no relatório BlackOut. O número de empreendedores negros dedicado ao sistema de venda direta ao consumidor é maior do que entre os não negros. “O líder negro enfrenta, muitas vezes, o dilema de precisar vender logo para continuar produzindo”, explica Maitê. “O que faz ele perder um tempo no qual poderia estar focando no desenvolvimento de inovações para crescer em escala com custo menor e melhorar a operação do negócio.”

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